segunda-feira, 30 de julho de 2012

A inacessibilidade da cidade e as minhas dores

Descobri muito recentemente  que tenho uma hérnia no disco da coluna. Após crises de dores no nervo ciático irradiadas por toda perna culminando em dormência no pé esquerdo, fui vencida pela insistência dos amigos e procurei uma clínica, injeções, medicamentos e o exame confirmou. Foi conflitante, um choque de emoções, comparei a meus primeiros  óculos, saber que nosso corpo físico, já apresenta depreciações e que este não se regenera. Conviver, habituar-se, mudar hábitos para melhor viver. Só agora comecei a notar, o quanto é fundamental nossa locomoção e a quantidade de obstáculos que a cidade oferece. A infinidade de degraus, escadarias por todo lado, algumas com acesso em rampa, outras não. Subir e andar até a final do ônibus passa a ser uma pista de obstáculos, a irregularidade do interior do ônibus com degraus, altura das poltronas muito baixa, espaço pequeno para as pernas entre os bancos, ainda poderia ser bem pior, ao menos a linha que uso, consigo viajar sentada e é um trajeto muito curto, que gostava tanto de fazê-lo a pé. O túnel da rodoviária, não tem rampa de acesso, nem escada rolante, bem como todo nosso centro é repleto de degraus, o meio-fio em alguns pontos é bem mais alto que a rua, essa espichada de perna, é massacrante, para uma coluna dolorida. O tempo do sinal vermelho, passou a ser insuficiente para atravessar uma via dupla. Ontem quando voltava do super, fui atravessar a perimetral, ela tem duas vias, e comecei a atravessá-la no sinal vermelho, faltou metade da segunda pista e já estava verde, na próxima vez, vou precisar esperar e fazer a travessia em duas metades, que coisa, deve existir muito mais pessoas com dificuldades temporárias, ou permanentes que sintam todos esses problemas. A cidade é muito rápida, as próprias pessoas são obstáculos para me locomover. Não posso mudar a cidade, ela vai sendo adaptada aos poucos, bem como eu devo me adaptar as minhas novas maneiras de andar, de sentar, de dormir, as novas atividades que tenho que começar a fazer para ter uma qualidade de vida melhor. Mudar meus hábitos, e assim como os óculos, aceitar que terei limitações, a serem compensadas. Mas como diria meu compadre lá de Santiago "não há de sê nada".

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