quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Baile de Máscaras


Estou lendo Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, um livro maravilhoso, onde pude aprender muito sobre história do Brasil e do Rio Grande do Sul. Conta o cotidiano de uma cidade na fronteira com a Argentina, a ficta Antares, desde sua fundação; a rixa entre as famílias Vacariano e os Campolargo, contando as mais perversas atrocidades cometidas, pelos membros de cada uma, em sinal de vingança a outra. Foi assim por várias gerações, até que os interesses das duas foram maiores que o ódio que nutriam e passaram a ser “aliadas”, houve até uma amizade entre Tibério Vacariano e Quitéria Campolargo. Em 1963, houve uma greve geral, no dia 12 de dezembro deste ano, data início da greve, morrem 7 pessoas em Antares, cujos coveiros se negam a efetuar o enterro, e os manifestantes impedem que os familiares e amigos o façam. Os 7 corpos insepultos, adquirem vida e voltam para cidade, a vascular a intimidade dos parentes. Os cadáveres, param no coreto da praça, e como mortos, livres para criticar a sociedade. Cada um tem a palavra e faz seu comentário, alguns contam de casos, de amantes dos mais ilustres cidadãos antarenses, histórias de fraudes, de propinas, de torturas. Uma sátira a atual sociedade, com um olhar crítico aos problemas políticos, econômicos e sociais. O advogado morto Cícero Blanco, é representante dos demais féretros, no auge de suas explanações ele diz que cada um dos presentes, faz uso de diversas máscaras, uma para cada situação, sempre optando pela mais conveniente. Fazendo-nos crer, que ninguém é realmente verdadeiro o tempo todo, as situações, nos impõe certas normas, certos comportamentos, em nome da ética, dos bons costumes, somos cerceados para agir conforme é conveniente. Alguns vão além, e usam as máscaras, por hábito, por gosto e se tornam especialistas em manuseá-las a seu proveito. Eu mesma, lembrei de uma máscara que costumo usar para grandes festas, ela é: “estou muito alegre e não estou com frio”, quando estou louca para ir embora e quase congelada. Mas somos assim, somos humanos e estamos aqui, exatamente para evoluir, nosso papel é vivermos, imperfeitos e o mais felizes possível.

Um comentário:

Froilam de Oliveira disse...

Nesse romance aparece o nome da nossa cidade (Santiago).
Abç