quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Aquecimento Global - sentido na pele

Era 14:00 horas e alguns minutos, saia do trabalho faminta e me dirigia pra casa, o sol estava escaldante e lembrei de uns slids que circulam na net, sobre a vida na terra em 2070, onde as pessoas não saem de suas casas durante o dia porque o sol é muito forte e impossível de agüentar, senti a terra solta nos pés entrando entre os dedos e a sandália, o vento poerento desarmando os cabelos, lembrei do outro trecho dos slids onde dizia que as pessoas não usavam mais cabelos, depilavam suas cabeças, o ar quente, sujo e a luz do sol, me ardiam os olhos e a face, encontrei uma conhecida e disse: “realmente o fim dos tempos será em fogo”. Depois do almoço, sai, voltei perto das 20:00, reguei as plantas como de costume e assim que entrei em casa, começou a soprar um vento terrível, seco, trazendo toda terra da rua e das lavouras, fechei bruscamente a porta e as janelas.Minha cabeça latejava, liguei o ventilador e o rádio para ouvir a sessão da câmara, tomei um comprimido, molhei uma toalha na água gelada, coloquei na cabeça e fiquei diante dos vidros da porta, esperava ver minha antena da tv passar por ela a qualquer momento. Uma cena difícil de descrever, era como um filme de faroeste, daqueles onde o mocinho e bandido somem na poeira da estrada, só que real e mais intenso, nada se atrevia a ficar na rua. Eu e o gato, trancados dentro de casa, ouvindo as palavras dos legisladores, toalha molhada na cabeça, e rezando “chova”, ainda poderia piorar; eu já tinha o plano B, se faltar luz, me enfio embaixo do chuveiro e fico lá o resto da noite. A sessão acabou, desliguei o rádio, a chuva não veio, coloquei um cd de MPB no computador e me pus a digitar, a antena ainda não voou, mas não está entrando nenhum canal, o vento ainda sofra, não tem muito mais para voar a rua está varrida, e eu, com terra em todos os poros, ainda rezo “ chova pelo amor de Deus".

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